Um desafio aos leitores!!

Já que umjeitomanso.blogspot.com me «anunciou» enquanto Contadora de Histórias, vamos lá pôr-me à prova! Quem se interessar, envie-me email (diazinhos@gmail.com) ou deixe comentário num dos textos, com uma palavra ou frase que me «inspire» para um próximo texto. A ver se pega e a ver se estou à altura..

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mais histórias de princesas

Esta música tem uma história minha. Ele era suíço e estava em Lisboa a estudar por 6 meses. Ficou em casa de um amigo meu, num daqueles programas de intercâmbio europeus, acredito que os primórdios do Erasmus. Ele mais velho que eu 4 ou 5 anos, eu com 19 e com um namorado já há 3 anos (nestas idades, cada mês é um festejo...). Eu e o M., o suíço, rapidamente nos aproximámos e criámos uma grande cumplicidade - porque só eu e o meu namorado falávamos francês, entre o nosso gigante grupo de amigos e o inglês dele era um sofrimento. Ele tinha uma namorada linda, linda, linda na Suíça.
Um mês depois de se ter ido embora - depois de uma despedida abraçada e demorada demais; silenciosa demais - enviou-me um email com esta música. Dizia que o fazia lembrar de mim. Quando somos novos e a começar a viver este mundo dos «crescidos» todas estas coisas fazem muito sentido e marcam muito. Ele dizia que pensava em mim todos os dias, que se eu quisesse voltava, deixava a vida dele, começava uma nova cá, comigo.
Eu sempre fui muito pouco de aventuras, muita contida e certinha (tive que chegar à idade realmente adulta para descobrir o que era a liberdade em todos os sentidos), disse-lhe que não, não fazia sentido, não havia como - apesar de estar fascinada por aquele sorriso de grandes olhos azuis.
Não aconteceu e não era para acontecer; acredito que ele, tal como eu, nunca mais tenha pensado em tal coisa e que tenha ficado apenas como uma lembrança longínqua que faz sorrir.
E porquê isto hoje? Porque às vezes há esta vontade em mim de ser Princesa como nas histórias que leio às minhas crianças, de ser arrebatada e levada «feliz para sempre», vencendo todas as contrariedades e coisas más, ao som de uma música tão doce quanto esta - e porque será que agora a sinto triste? -, que alguém me cantaria baixinho ao ouvido, jurando-me que é mais feliz só por eu existir no seu mundo.


YOUR SONG
It's a little bit funny this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live
If I was a sculptor, but then again, no
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it's not much but it's the best I can do
My gift is my song and this one's for you
And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world
I sat on the roof and kicked off the moss
Well a few of the verses well they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song
It's for people like you that keep it turned on
So excuse me forgetting but these things I do
You see I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen

terça-feira, 22 de outubro de 2013

The Wedding Day

Nós, num jardim fresco com o rio ali tão perto.
Ou então: Nós, no cimo de uma montanha carregada de verde e o orvalho ainda nas flores.
Ou ainda: Nós, na casa do moinho, todo engalanado e cheio de risos. 

O cenário não interessa.
Nós. A comunhão do que somos, das nossas mãos que não se largam, do nosso olhar um no outro.
A comunhão com os que queremos e nos querem bem.
As palavras que diremos um ao outro e aos que nos rodeiam.
As crianças a puxarem-nos pela roupa, pelo braço, pela ternura que trazemos em cada momento.
O brilho do sol do fim do dia, que tanto tanto tanto gosto. O dourado nos meus cabelos e nos teus olhos.
Música  a encher-nos e ao nosso dia, amigos que cantam e pequeninos que dançam sem parar.
Eu que danço para ti a dança prometida.
Tu que me pegas sem aviso e me levas até um canto esquecido.
Os doces da minha avó na tua boca e a mão da tua mãe a amparar-me o rosto.
As nossas palavras secretas que passam a ser de todos os nossos.
As promessas partilhadas que não têm tempo-fim.
Um dia que se faz de eternidade.
Nós dois para sempre um.
Nós .

 

domingo, 13 de outubro de 2013

Histórias de Princesas

Pés descalços na relva, o Tejo logo ali, o sol espelhado nos óculos escuros e uma brisa perfeita. A minha cidade que me apaixona cada vez mais. As minhas crianças aos saltos na relva e os seus risos que se misturam com a nossa conversa. Eu e a minha amiga.
Ela diz-me «Tenho saudades de namorar na relva, com a cabeça no colo de um apaixonado, numa tarde demorada, conversa tonta, sorrisos iguais e pontas dos dedos na pele um do outro. Tenho mesmo falta disto».
Pergunto-lhe com quem teve ela «isso». Cala-se por uns segundos. Vejo-a pensar, franzida. «Pois, realmente não me lembro de ter estado assim com nenhum dos meus amores. O que não quer dizer que não tenha estado, mas realmente não me lembro. Mas tenho muita vontade de estar assim, de coração tranquilo, da serenidade e de preferência com sorrisos das nossas crianças por perto, assim como as tuas que volta e meia te vêm besuntar com um beijo, um bocadinho de colo e lá seguem nas brincadeiras.» Sossego-a: «Não te preocupes que vai acontecer. Não penses nisso e quando menos esperares, acontece. Comigo tem sido sempre assim. Quanto menos quero, mais tenho.» E sorrio-lhe, tentando convencê-la.
Sei o que ela quer, quer viver todos os dias o amor da sua vida, em pleno. Os dias de pés descalços na relva são bons, mas são ainda melhores com o coração totalmente cheio, sem faltas, a transbordar.
Os meus miúdos correm para as duas, roubando-nos abraços, colando-nos sorrisos.
O tempo demora e o sol de Lisboa é o melhor do mundo. Isso e ter alguém que nos envia uma sms, cheio de saudades porque já estamos a demorar e nos diz sentado no nosso sofá «Anda cá».

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Para a minha querida C. de nome especial

Tenho uma amiga de nome especial. Já nos conhecemos há alguns anos - 16 já são alguns anos, não é? - e entre outras amigas e amigos que chegam e vão, aos quais se juntam uns novos de quando em vez, ela é a minha amiga especial. Por isso tenho esta sorte de poder dizer que tenho uma amiga especial de nome muito especial.
A minha amiga é pura. Puramente pura, transparente, verdadeira, genuína. Com ela não há jogos, nem segundas intenções. A minha amiga é crua, é única, é melhor que os outros. E eu acho que ela devia ter muito mais pessoas a dizerem-lhe tudo isto, muitos dias, muitas vezes ao dia.
A minha amiga está perto de mim. Esta é a minha amiga que eu quero perto. Está perto de mim enquanto cresço, quando caio e quando danço - sem falarmos sequer disso, porque às vezes não são precisas mais palavras, só momentos bons -, está perto, ao meu lado sempre que preciso e nem preciso dizer-lhe.
A minha amiga traz serenidade e sorrisos com ela, tem uma felicidade pura dentro de si.
Neste dia da minha amiga C. aqui fica, em jeito de presente, uma das minha músicas preferidas.
(Parabéns C. !!! - e desculpa por hoje não te ter dado o beijo que merecias...Daqui a uns dias lambuzo-te toda ;) e até lá, aqui fica o meu mais puro beijo virtual!) 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Wishful tihinking

Dançarmos, vestidos de sorrisos, mãos nas mãos, pés na areia molhada, as ondas a tocarem-nos de mansinho, a lua lá no alto, a estrela dos desejos tão brilhante, uma brisa quente e um momento que se quer para sempre. E esta música.
Podia ser sempre assim.

domingo, 29 de setembro de 2013

Mudanças de hora

Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto, nem porta, nem nada. Era uma casa nossa, depenada, despencada, desencontrada de todas as outras. Era nossa.
Muitas vezes chovia dentro, ventava até, gelávamos por baixo da pele e batíamos os pés no chão em desatino. Quase que gritávamos. Encostávamo-nos cada um a seu canto, procurando fugir do que molha, fugir do que esfria, fugir do mau tempo que havia no meio da nossa casa sem tecto.
Não demorava muito até eu o procurar, entre tremideiras e suspiros, ou ele chegar-se a mim de mansinho, encaixando-me no seu abraço, como precisávamos os dois.
Claro que também havia os dias do sol fervente, do calor que não se podia, enchendo a casa, a nossa casa, de suores e impaciências, o desespero por uma sombra, uma frescura para nos aliviar, encostados à parede, derretidos no chão.
Nos dias suportáveis tocávamos a ponta do pé um do outro, em jeito de comunhão - isto não se aguenta, não penses em encostar-te que não dá - e escorríamos os dois, às vezes sorrindo, outras apenas de olhos fechados à espera que passasse.
A nossa casa não tem telhado, para o bem e para o mal.
Nestes tempos em que o Verão se vai e começamos a ver os dias a desaparecerem mais rápido do que o relógio mostra, ficamos apreensivos a pensar no que virá. Sabemos que voltamos, voltamos sempre, mas Invernos houve, tão gelados e escuros, em que nos mudámos, cada um para sua casa, longe daqui, longe um do outro, tentanto a vida numa casa igual às outras.
Podemos demorar mais ou menos, mas voltamos, voltaremos sempre, porque esta casa é a nossa e sabe bem encostar-me a ele, a minha mão procurar o dentro da sua camisa, encontrar o quente, oferecer-lhe tudo o que sou de cima a baixo, de fora para dentro e aquecermo-nos assim um ao outro. Mesmo com a chuva a pingar-nos a testa e o vento bravio a entrar ainda antes da noite. Mas sorrimos porque estamos em casa, na nossa casa. E porque vamos sendo felizes assim.

sábado, 21 de setembro de 2013

O nosso jardim

Tanggled up in our strange hard knots
briething just becomes easier
with your mouth silencing our thoughts
your dark eyes right here

while your hand shivers down my legs
my skin eagers for all of you
and your gentle voice on my fingertips
makes me smile brand new

You told me «we should dance»
and sang me that little song
(the one we heard on the disco years ago)
and in our bed I danced along

Perfection has no timming
You and me will have no ending
Our knots will keep us together
all of our lifes just blending

The path was not chosen
it came to us with the flow
all the knots are to be broken
here we are dancing slow

(and now we laugh,
 head to head,
 skin to skin,
and it's me who is now singing
our prettiest love song) 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Fim de Verão

Perguntava-me assim: ah então isso quer dizer exactamente o quê? E eu encolhia os ombros e dizia «Sei lá eu!».
Ficávamos, então, de mãos dadas a olhar o horizonte no topo do parque de Monsanto. Do Monsanto dizia ele. De, dizia eu. E o silêncio. Mas dos bons. Estávamos mais juntos que nunca. Tanto tínhamos horas infinitas de conversa, da mais fácil à mais intensa, como tínhamos os nossos silêncios enamorados. Enamoramento. Eu de queixo apoiado na garrafa de água, toda sorrisos por dentro, enquanto o olhava a almoçar. Ele que me encostava a mão na cara e me olhava no fundo do fundo com o seu sorriso raro, brilhante.
Um dia disse-me «Tudo em ti é meu» e eu acho que ri do bem que me soube e nem percebi que aquilo foi praga que me rogou. Agora tudo em mim é dele. Nem a distância, nem a ausência, nem o pouco que há. Gosto de saber que pensa em mim, que lembra, que no fundo ainda quer.
Agora que voltou - de mulher e filhos no abraço, de cabelo mais branco, de pele menos macia, de sorriso mais gasto e de olhar, ai o olhar, mais perdido, mais fugido de mim - sou ainda mais dele. Raio de praga infalível, inquebrável, doída que faz doer. É Agosto e todos voltam. Ele voltou sete anos mais tarde. Sete anos depois de nos termos rendido à impossibilidade de uma equação em que as parcelas não vão convergir. Queria aventura, queria dinheiro, queria mais. Eu queria este meu canto, estes meus cheiros e abraços. Um dia por muitos dias fomos infinitamente felizes e agora sete anos mais tarde, volta a agarrar-me na mão enquanto estou no seu colo, estamos no topo de Monsanto, as Amoreiras aqui tão perto, as casas, as outras vidas e amores e agora volta a pedir para esperar, que as crianças são pequenas, que não quer deixá-las fragilizadas, que sempre pensou que a outra seria afinal a sua mulher para sempre, mas que agora só me quer a mim.
Mas afinal a outra sou eu. E mesmo com ele aqui tão perto, não temos mais que os encontros de fugida, os olhares inquietos, os telefonemas que chegam sempre cedo demais.
Houve uma altura em tudo foi fácil e só tínhamos conversas tontas e eu chamava-lhe coisas doces e ele dizia-me as palavras mais queridas. Depois desencontrámo-nos e não nos resta mais do que este eterno desencontro. Eu até posso esperar, já lhe disse que sim, mas ele não me diz quanto tempo, não me diz mais do que o quanto me quer e sempre quis e que afinal tudo nele é meu. Quase tudo, gemo eu. Falta o resto. Esse resto que são os nossos dias que nos faltam e a tua mão na minha sempre que eu quiser. Ao longe vejo-te com as tuas crianças entre sorrisos e brincadeiras. Ela, a outra que não é a outra, põe-te a mão no ombro e eu penso, mais uma que está tão perdida quanto eu. Mas eu não tenho o cheiro a ele na minha almofada e já não me chegam as tardes no banco no topo de Monsanto, as Amoreiras vigilantes e a promessa de um dia.
Falta-me a coragem para ir. Mas também sei que já não posso ficar.
«Ah e então isso quer dizer exactamente o quê?»
«Sei lá eu».

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ás vezes no silêncio da noite..

Procuro-te. É no silêncio da noite que a tua ausência é mais dura, mais só. Tento encontrar ecos de ti nos sítios mais improváveis e nos menos recomendáveis; junto de amigos, junto do que escreves, junto das memórias. Fugiste-me entre os dedos; és areia cinzenta que corre no vendaval dos dias. Procuro-te e não encontro, nem a ti, nem sequer uma sombra de ti. Deixaste-me em silêncio, sem aviso, sem notícia, sem uma esperança sequer. Os recantos que um dia foram nossos fazem-me doer. Fujo deles, tal como foges de mim (será isso? faço-te doer?). Eu pensava num amanhã, tu só queres viver do hoje. E algures nesta confusão de tempos perdemo-nos um do outro. Past tense, present tense. Nos tempos das aulas de inglês tudo era mais fácil, fluía e encaixava com lógica e racionalidade. Past tense, present tense, future tense. As palavras são o que nos sobrou; agora parece que nem isso temos.No fundo toda esta equação impossível de nós merece mesmo uma gorda e enorme question tag: isn't it?

sábado, 10 de agosto de 2013

Vontades à parte

Um dia visto-me toda de vermelho, um vestidinho bem colado às curvas que já foram mais curvadas – mas enfim, faz parte – pinto as unhas de encarnado ou rosa choque – eu que oscilo sempre entre o nenhum verniz e o quase transparente – empino-me em cima de uns saltos altos bem fininhos - e vamos ver quanto tempo me aguento lá nas alturas. Carrego num baton bordeaux, no rímel e até no blush e lá vou eu bem disfarçada de outra que é o contrário de mim, de passo leve e dançante subo a um palco qualquer, agarro-me ao microfone e canto tudo o que há dentro de mim. Vou cantar e contar todas as minhas músicas, as que já me conhecem e as que ainda há por descobrir, encher-me de sorrisos e de lágrimas, de contentamentos e aventuras, de amores impossíveis, paixões tresloucadas e do amor para sempre. A minha voz será límpida e certinha, os meus longos cabelos negros, lisinhos como nunca são, pendurados até ao fundo das minhas costas como um longo xaile de seda. Depois desço lá do palco, coberta de felicidade e calor, desço dos sapatos agulha, apanho o cabelo, limpo a cara num paninho molhado, visto um dos meus casacos de malhinha azul escuro e sento-me no meio de gente nenhuma. Peço a água de sempre, a olhar para o copo de vinho que ainda há pouco tinía na minha mão, vejo os outros que sobem ao palco mal iluminado a saírem de lá mais dentro de si, mais ajeitados nas suas peles e vestimentas, mais soltos e gulosos da vida. Ninguém acredita que era eu ainda há pouco ali em cima. Nem eu. Só as unhas escarlates me traem. E uma gargalhada limpinha sai de dentro de mim.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Rua das Flores, número 2, 3º direito

Vejo-os da minha janela. Os prédios nesta rua estão colados; ouvimos o que dizem os vizinhos. Ou pelo menos parece-me que os ouço.
Ela enrolada em si mesma, os braços nas pernas, a cabeça nos joelhos, encaixada num canto do sofá encarnado (como o vestido que a aperta).
Foi sentar-se longe dele. Ele parece nem a ver. Fuma. Gosto de o ver fumar. Gosto quando se põe a fazer diáfanos corações de fumo branco para ela. Gostava que fizesse um para mim.
O cabelo negro pendurado, as mãos pequenas cravadas uma na outra, a voz que sai num suspiro.
Ela nesta inquietude, querendo sem querer ao fim de tantos anos. Não vê o quanto ele a quer, naquela maneira de querer, desprendida e sem verbo, mas querendo-a tão profundamente, tão dentro de si, tão para sempre. A verdade é que não a quer só a ela, não, aquele é um homem desassossegado, não se contenta só com aqueles cabelos negros, nem o corpo ainda ginasticado, nem aquela pele macia. A ele basta-lhe aquela vida pela metade.
E eu sei porquê.
No outro dia encontrei-o aqui na rua. Viu-me. Percebeu que sou aquela que os vê atrás das cortinas floridas, sem pudor nem jeito, mesmo quando estão nús no sofá encarnado. Aquela a quem ele piscou o olho entre os Ais da mulher de cabelo preto desarrumado, aquela que sempre procura na janela assim que a noite desagua entre os prédios colados.
- Um dia vou ter-te ali comigo. Mas contigo vou ficar. Contigo vai ser tudo por inteiro, vou levar-te ao altar.
E eu sorri e disse que sim, que o esperava, já nem falta assim tanto para os meus dezoito anos. Vou aprendendo com eles, vou vendo, vou conhecendo cada peça dele e um dia vou ser eu naquele sofá encarnado. Se for preciso até pinto de preto carregado estes cabelos amarelos, de preto bem carregado como os olhos dele que me fizeram aquela promessa mesmo sem o dizer. Mas eu sei, eu sei que foi isso que aquele «Bom dia» me quis prometer. Isso e o coração esfumaçado que me deixou no ar.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Dias quentes

Pé-ante-pé na areia molhada, o calor desce até uma parte desconhecida de mim, um sítio perdido ali, algures entre o fim das costas e o princípio de uma curva que me acompanha de baixo para cima; sítio onde os meus amores gostam de descansar. Os meus pés na água fria gelada dormente. Os risos que andam no ar. Eu grande com vontades de ser pequena. Não é por nada, mas só porque sim. Um dia hei-de ser criança, um dia hei-de ser tão pequenina que hei-de caber na palma da tua mão, eu toda encolhidinha e encaixada na concha dessa tua mão grande e pesada. Hás-de levar-me a passear e eu toda feliz e protegida no côncavo da tua mão que cheira a nós. (O mar é o meu amigo de sempre. Os meus melhores sonhos são com o mar, eu no mar, eu sem limites nem fronteiras, fundida na água salgada e fresca.) Talvez já saibas onde isto me vai levar, onde talvez até nos leve aos dois. Mas eu não sei. E gosto desse desconhecido, do querer descobrir, do caminho que fazemos e que se fará. Fico de sorriso marcado, pensando no pé-ante-pé que faremos, nos risos das descobertas, na perfeição a que chegaremos - ou não. Não me preocupa. Posso saltar até da concha da tua mão, para a beira do teu ombro largo e forte e deixar-me por lá a balançar as pernas no alto, o fresco no cabelo, areia nas minhas esquinas e o sabor a mar ainda dentro de mim. Um dia vou ser pequenina só para tu me poderes levar assim.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ao virar da esquina

E assim, de repente, conhece-se um homem bom. Um homem simples, de sorriso bem aberto e abraço generoso. Um homem que gosta de dar, de dar de si, de dar do que sabe, de estar presente, de dar a mão a quem passa e de apertar os meus filhos no seu peito largo.

Um homem que vamos descobrindo todo de uma vez e depois vemos o que construiu, a forma como toca vidas tão difíceis e as deixa de sorriso no rosto. Um homem e o seu cavalo. E os seus cavalos, neste caso.

É bom descobrir inspiração onde e quando menos se espera. É bom olharmos para quem nos acompanha, sorrindo incrédulos: «Isto será mesmo assim? Mesmo assim de verdade?». Como adultos, urbanóides e descrentes que somos, custa-nos a crer que encontrámos realmente assim um sítio onde nos sentimos em casa desde o primeiro instante, em que se lembram do nosso nome de todas as vezes que nos cruzamos, em que esperam por nós e nos falam como se fossemos família. Sabe bem. Sabe tão bem que se estranha.

Até para escrever estas linhas esperei quase um mês, apesar da vontade de as escrever desde o primeiro regresso a casa depois de conhecer esta nova família. Só para ter a certeza que realmente não era um embuste, que aquela família está realmente sempre pronta para receber mais um, mais quatro, mais quem for que venha de espírito lavado e sem preconceito. E para ter a certeza que conheci, de facto, um homem bom.



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Mais uma música, só porque...

Esta tem andado comigo nos últimos dias. Não é perfeita, não é estrondosa, não é nada de novo; é apenas o que é. E é bem triste, sentida, apaixonada e bonita assim.

Just Give me a Reason - Pink feat. Nate Ruess




Right from the start
You were a thief, you stole my heart
And I, your willing victim
I let you see the parts of me
That weren't all that pretty
And with every touch
You fixed them
Now you've been talking in your sleep oh oh
Things you never say to me oh oh
Tell me that you've had enough
Of our love
Our love
Just give me a reason
Just a little bit's enough
Just a second we're not broken just bent
And we can learn to love again
It's in the stars
It's been written in the scars on our hearts
We're not broken just bent
And we can learn to love again
I'm sorry I don't understand
Where all of this is coming from
I thought that we were fine (oh we had everything)
Your head is running wild again
My dear we still have everythin'
And it's all in your mind (Yeah, but this is happenin')
You've been havin' real bad dreams oh oh
You used to lie so close to me oh oh
There's nothing more than empty sheets
Between our love, our love
Oh, our love, our love...
Just give me a reason
Just a little bit's enough
Just a second we're not broken just bent
And we can learn to love again
I never stopped
You're still written in the scars on my heart
You're not broken just bent
And we can learn to love again
Oh tear ducts and rust
I'll fix it for us
We're collecting dust
But our love's enough
You're holding it in
You're pouring a drink
No nothing is as bad as it seems
We'll come clean
Just give me a reason
Just a little bit's enough
Just a second we're not broken just bent
And we can learn to love again
It's in the stars
It's been written in the scars on our hearts
We're not broken just bent
And we can learn to love again
Just give me a reason
Just a little bit's enough
Just a second we're not broken just bent
And we can learn to love again
It's in the stars
It's been written in the scars on our hearts
We're not broken just bent
And we can learn to love again
Oh, we can learn to love again
Oh, we can learn to love again
Oh, that we're not broken just bent
And we can learn to love again

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Entroncamento

Deixaste de sentir? Diz-me, responde-me a esta pergunta que não me larga, colada a cada pedaço de mim. Deixaste de sentir? Tornaste-te numa pedra fria, dura, gelada que sabe apenas dizer futilidades, falar do tempo e assim, dos espirros e assado, das coisas que não doem e não vincam a alma?
Foi de um dia para o outro, entrei, encontrei-te ali sentada no sofá encarnado - não é encarnado, é rosa velho, dirias tu de olhar perdido numa revista qualquer - meia distante, meia longe das nossas coisas e do que sempre fomos e por aí tens ficado. Longe de nós.
Achas que me dá prazer estar assim?, perguntaste-me de olhos molhados depois de ajoelhar-me a teus pés e pedir-te por favor que me desses só mais um bocadinho de ti. Eu já não sei o que te dá prazer, a sério que já não sei o que te fazer, te dizer, deixaste-me perdido, deixas-me sem saber, já não me encontro quando me procuro nos teus olhos, muito menos na tua mão, longe que está da minha, tão longe que já nem me lembro quantas veias consigo contar, as tuas veias azuis grossas que me mostram os caminhos que há dentro de ti.
Deixaste de sentir, de me querer, de sequer pensar em nós?
Um dia cheguei e vi-te assim, meia fora de ti, meia longe do teu corpo, afastada do nosso tempo. Vê se percebes, não é que não estejas cá e dizes até o que é suposto dizer, falas do jantar, da roupa que compraste na net, tudo muito normal, demasiado normal, demasiado conversa de circunstância, demasiado de uma mulher que nunca foste tu.
Espera, disseste-me tu baixinho, como que voltando, por um momento, um instante só, à tua outra tu de sempre, Espera dá-me o meu tempo que eu precisar que eu volto já, mas espera. E lá te foste outra vez e nem a tua mão que prendi, nem o teu sorriso que tentei guardar, nem o arrepio que te senti na pele, nem nada do que sempre foste tu ficou. Só o teu corpo e esse teu cheiro a quente doce e bom.
E aqui estou à espera, minuto a minuto, dia após dia, agarrado à tua promessa fugidia, sentindo-me perdido à beira da tua estrada.

E, ao longe, ouvi-te sorrir.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Só uma música


Hoje é só assim (só) mais uma música; esta que me diz tanto - talvez até cada vez mais - e que me acompanha há uns 12 anos. Hoje ouvi-a e apeteceu-me partilhar.
Aqui vai, The Scientist pelos Coldplay. Gostava de um dia conseguir escrever uma música assim.


Come up to meet you
Tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you
Tell you I need you
Tell you I set you apart

Tell me your secrets
And ask me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles; coming up tails
Heads on a silence apart

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

I was just guessing at numbers and figures
Pulling your puzzles apart
Questions of science; science and progress
Do not speak as loud as my heart

Tell me you love me
Come back and haunt me
Oh and I rush to the start
Running in circles, chasing our tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Todos os dias

Li e gostei: «As pessoas mais importantes do mundo são as que me chamam mãe». E é mesmo assim.

Pois por isso todos os dias são dias da Mãe para mim, porque todos os dias são eles o que mais importa, os meus meninos do meu coração, que me enchem de amor e de cantigas felizes, de profundas olheiras e impaciências, de sorrisos e gargalhadas sem fim.
E o melhor presente deste dia - e felizmente de quase todos os dias - é tê-los acabadinhos de acordar de uma sesta curta e tardia, coradinhos e de olhos gordos, cada um em cada um dos meus braços, enrolados, enamorados, felizes por estarem no seu ninho. No nosso ninho.

E isto é mesmo o que mais importa. Hoje e em todos os dias de nós.

sábado, 27 de abril de 2013

História de Mim - Post um bocadinho piroso, mas enfim..

Hoje não é uma história de Nós, mas uma história de mim - se é que isto é português correcto... Bem, na verdade não é propriamente uma história, mas eu a contar um pormenor, um detalhe, um acento circunflexo meu, ou uma coisa assim.

Quando passei da 4ª classe para o 5º ano, essa mudança radical na vida de qualquer menina que assim se vê passar a ser considerada uma rapariga; os meus pais ou os meus avós (não sei ao certo), ofereceram-me um rádio.
Era um rádio que dava para gravar músicas que estivessem a passar, além de também ser possível gravar as nossas próprias vozes. Esta última potencialidade, que para mim era algo de absolutamente extraordinário, originou várias tardes bem passadas com a minha grande amiga da altura. Gravávamos cassettes e cassettes (coisa que os meus filhos provavelmente nunca saberão o que é) com emissões prolongadíssimas da rádio Martana, nome curioso e sem dúvida original que resultou da junção dos nossos dois nomes.
Nesse Verão em que fiz os meus dez anos e quando abandonada pela minha grande amiga que desaparecia todo o mês de Agosto para as termas de Monfortinho, passava as manhãs a gravar músicas da rádio. Na altura eu não sabia Inglês - só começaríamos a aprender no tão desejado e aclamado 5º ano - mas esta foi a primeira música que decidi gravar da rádio e que a partir daí passei a ouvir vezes e vezes sem conta e que desde então sempre me tem acompanhado.
Quando comecei a perceber a letra tornei-a ainda mais a minha música - sou uma romântica aguda e crónica, que posso eu fazer..? Hoje lembra-me os tempos em que nós meninas-mulheres acreditamos nos príncipes encantados e nos finais felizes. Nos amores únicos, sem contrariedades, nem barreiras, nem limites, nos amores-mais-que-perfeitos, nos amores que são para toda a vida «felizes para sempre».
Claro que crescemos e percebemos que não é bem assim.
Mas a verdade é que ao ouvir esta música - sim, um bocadinho pirosa é certo, completamente tirada do báu dos tesourinhos-a-tender-para-o-deprimentes, bem sei - não consigo deixar de sorrir e de acreditar que viver feliz para sempre é possível. Com esta música de fundo e a tua mão no meu coração.

"Eternal Flame"

Close your eyes, give me your hand, darlin'
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Is this burning an eternal flame

I believe it's meant to be, darlin'
I watch you when you are sleeping
You belong with me
Do you feel the same
Am I only dreaming
Or is this burning an eternal flame

Say my name
Sun shines through the rain
A whole life so lonely
And then come and ease the pain
I don't want to lose this feeling, oh

Say my name
Sun shines through the rain
A whole life so lonely
And then come and ease the pain
I don't want to lose this feeling, oh

Close your eyes, give me your hand
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Or is this burning an eternal flame

Close your eyes, give me your hand, darlin'
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Is this burning an eternal flame

Close your eyes, give me your hand, darlin'
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming, ah
An eternal flame

Close your eyes, give me your hand, darlin'
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming, ah
Is this burning an eternal flame

Close your eyes, give me your hand, darlin'




 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

lullaby

sleep tight
sleep warm all night
feeling my breath on your neck
your skin against my back

sleep sweet
sleep deep deeply deep
on the whitest sheets
where my hand finally meets

your soul just laying there
your smile just simply there

and finally sweetly you sleep
and finally you're sound asleep





sexta-feira, 5 de abril de 2013

Amor é...

De vez em quando podia ser um grãozinho de areia, mínimo minúsculo para que não desses por mim, sentada no rebordo do teu casaco, deixando-me ir para o fundo da tua nuca, deslizando para o recanto dos teus olhos onde gosto de beijar, caíndo para o quente do teu peito - no teu calor no teu cheiro - a espreitar entre a tua camisa semi-aberta e deixar-me assim estar, um grãozinho de areia feliz sem tu saberes sequer de mim.
Era assim mesmo que podia ser. Eu em ti sempre que me apetecesse ver-te, ouvir-te, sentir-te - como tantas vezes tanta falta tenho - e tu sem saberes que afinal era eu quem estava ali a desassossegar-te e toda enfiada em ti em tudo o que fizesses.
Já me disseste «És o meu desassossego» e eu sorri porque gostei. Mas agora era melhor que fosse como naquela tua musica...ser a tua calma, a tua casa, o teu recanto. E fazer-te feliz porque me farias feliz a mim também.
Hoje descobri afinal o que é o amor. Depois de tantas definições lidas, explicações tentadas, pensamentos e reflexões, hoje saiu-me assim. Amor é o sentimento mais forte e mais verdadeiro. Seja em qualquer uma das suas formas. Talvez dito assim pareça frio e sem sabor. Mas é isso mesmo afinal, amor é o sentimento mais forte e mais verdadeiro, mais puro e sensível que posso guardar em todos os pontos de mim.
Se eu fosse um grãozinho de areia insignificante e vagabundo, não te ia fazer doer tanto, nem nada disto ia custar tanto assim. Porque ia ver-te, ia saber-te, sentir-te, provar-te e saber a que sabes nestes dias. Podia ser até que conseguisse contar-te ao ouvido o tanto que gosto de ti e assim tirar-te esse vazio frio de dentro de ti.
Mas não sou.
Não sou, nem vou ser e estou aqui eu toda eu a pensar em ti.
Mas se alguma vez sentires uma impressãozinha na pele, um roçar, um comicharzinho doce, já sabes que talvez seja eu com as minhas faltas de ti.

sexta-feira, 8 de março de 2013

História Pedida 28 (por Sandra Évora): Saudade

Como explicar isto? É uma coisa assim de dentro para fora, de fora para dentro, que anda à flor da minha pele, no canto dos meus olhos e escondida no meu sorriso.
Sou a sentinela da sombra do nosso amor. Atenta, alerta, vigiando o que restou - esta sombra em que vamos vivendo, com medo que se vá de vez.
O que dizer mais, quando já não há mais a dizer? Apetece dar um Chega às palavras, um Chega de tratados, dissertações, telenovelas e espigões na ponta de cada história que vamos escrevendo. Na verdade, a vontade que há, cá no fundo, cá Do fundo, é do teu abraço no meu, do teu beijo no meu, de nós os dois mais uma vez juntos. Mas que seja uma nova vez, sem os pesos do presente-passado-presente.
Estranho isto, não é?
Como explicar o que não tem explicação? É assim, ponto final. E é assim porque sim, porque somos assim, porque somos um para o outro assim, porque há qualquer coisa dentro de nós que chama pelo outro. Que grita imensamente pelo outro.
Não nos vamos soltar disto nunca, está gravado em nós, faz parte de nós. Tornámo-nos assim, ou somos assim. Eu para ti, tu para mim. E depois a distância, este estar longe sem estar, este muro, esta parede fria, que criei entre nós. Porque já não sabia mais como viver com apenas metade de ti.

E, então, a falta de ti. A falta de ti em mim,  a falta do que eu sou quando estou em ti. Só nós dois é que sabemos.. e não há canção que nos valha o sorriso que perdemos no tempo que não é nosso.

E agora não sei como acabar esta história de nós; talvez porque não tenha ainda chegado ao fim.


(Inspirada pelo lindo poema de Sandra Évora)
Saudade
Fecho os olhos
e voo nos braços da minha memória.
Voo para um mundo distante
e antigo
onde sonho
um prado verde
sobre o dorso do meu cavalo.
Sonho as paredes onde te vi pela primeira vez
e a árvore onde nos despedimos.
Sonho uma vontade imensa
de respirar os gestos e os dizeres
que te pertencem.
Sonho os teus lábios nos meus,
a doçura da tua voz
e o calor do teu abraço.
Sonho o teu olhar
e as palavras esgotam-se.


Sandra Évora


sábado, 19 de janeiro de 2013

Whishful tihinking ou Alerta amarelo III

Pés na areia, grão a grão, poro a poro. Fundo-me assim no mundo e deixo-me sorrir.
Se entrar então devagarinho no mar transparente, gota a gota, pedaço a pedaço, sei que por momentos deixarei de ser eu, passo a ser tudo.
Gosto dessa sensação assim, de diluir-me no mundo, tornar-me parte do que piso e do que sinto, deixar-me fluir além de mim.
Um dos meus melhores sonhos sou eu a flutuar nas ondas azuis, o mar a encher-me e tornar-me vazia, a respiração esquecida, eu no meio do nada. Eu sem ser eu, eu a ser parte de todos.
Um dia hei-de viver com os pés na areia e encher-me de mergulhos no mar, perder as horas e os dias, deixar-me apenas estar.
Vou encher a areia das palavras que gosto de escrever, vou deixar o sol do fim do dia pintar-me a pele das melhores cores e o cabelo andar em constante desalinho, ondulado, selvagem, carregado do sal desse mar que há-de ser meu.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Natal Feliz!

Porque e' a minha altura preferida do ano, porque me faz sorrir e cantar, porque este Natal foi tudo o que um Natal feliz deve ser - familia, criancas, ternura, carinho, generosidade nos gestos e encontros, quero agradecer por estes diis dias imensamente bons. E como e' bom parar um segundo a inspirar o tanto de bom que temos na vida.
Festas muito felizes para todos os que me vao lendo e ao mundo e arredores!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Lenga-lenga

Bom, bem bom, bom. Ai, ui, ai, ui. Estás, estás, estavas. Sabendo, sabias, sabemos. Um, dois, três, era uma vez a história de nós três. Anda, embora, fora, toma, anda, come, leva, leva-me, fica, fiquemos. Ri, risos, ri, sorri, sente, aperta, vive. Toma, toma-me, come, come-me. Olha aí, olha aqui, olha-me a mim, olha só o que aqui vai. Ouve lá, ouve cá, são gargalhadas, são doçuras, são mimos, são ternuras. Anda, embora, vamos, vai, leva-me, aperta-me, agarra-me, sente-me, come-me, enche-me toda, leva-me agora. Arrepios bons, borboletas all over, pontas dos dedos que comicham, cabelos que se arrepelam, coisas que só tu sabes, que eu sei, que nós sabemos nós dois. Vamos, vamos vendo, vamos sendo, com saudades do que era, com vontades do quem vem, das coisas boas, das luzes a piscar, das musicas por todo o lado, dos meninos a brincar e eu e tu e tu e eu e nós dois assim mesmo a sorrir na certeza de que tudo está quase a passar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

...e muitos anos de vida

Já te escrevi muito... já te escrevi tanto! Letras que só tu e eu sabemos que são nossas, vontades rasgadas, pensamentos velados, gestos por acontecer. Já te escrevi tanto e muito e só tu sabes que estas palavras saem de mim para ti.
Meu amigo de todas as horas, minha ternura de todos os dias, minha paixão renascida em cada jeito teu, como poderei algum dia agradecer-te o tanto que me dás?
Cresço contigo, dou os meus trambolhões e safanões, as minhas cantigas e gargalhadas e tenho-te na vida que vou vivendo sabendo a minha na tua mão.
Um dia saberemos exactamente o que fazer de nós, um dia saberemos sem demoras o que serão os nossos dias.

E, agora, o caminho, este nosso caminho que vamos desenhando, este caminho que nos fazem viver.
Goza o caminho, dizes-me tu - e eu sempre nas ânsias do que vem mais além - goza o caminho, aproveita o nosso momento, o pouco tanto que temos, aquilo que somos nós.
Seja, venha o caminho, porque há momentos em que a espera até faz doer. Venha o caminho, a estrada e a tua mão na minha como prometeste. Venhamos nós encolhidos, enrolados, emaranhados no que há-de ser.
Tudo vai ficar bem. Sei.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Banho Maria

Já deixaram alguém em banho-maria? Pois não o queiram fazer. 
É doloroso, nao só para o sujeito banhado - obviamente -, mas muito para quem o faz.
O sujeito ora se contorce e estrebucha indignado com o que se lhe está a suceder, ora se põe de cabeça para baixo, de jeito amuado, tentando desaparecer; ora ainda se deixa estar a flutuar no quente como se nada estivesse para acontecer.
E nós, perpretores de tão terrível feito, sentimo-nos atordoados,doridos, sem saber bem o porquê de fazermos aquilo - tal atrocidade! - mas numa necessidade incontrolável, visceral, de o fazer. Dói cada gemido que se ouve, cada súplica calada, cada palavra abafada. O sujeito ali, em lume brando, a marinar, a perguntar sem o fazer: até quando, até quando isto vai durar, até quando este entontecer, este atordoamento, este queimar lento? Para quê, para quê?
E nós ali, olhando, incapazes de mais, vamos controlando o lume, tentando que não queime de vez, esturrique, se desfaça e desapareça, a contar os segundos até esta necessidade ruim desfalecer.
Não queiram pôr alguém em banho-maria. Não é bom, nem pode ser. Custa e repuxa, dá medos por dentro de não se saber qual o ponto certo, a solução, o fim à vista. Não há receita que nos guie, conselho que nos valha, só deixar acontecer.



 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Alerta amarelo II

Saltaste o telhado,
escondeste-te no mato,
mergulhaste no tempo do poço escuro
afogando-te assim,
para tocar os pés no fundo,
voltar para mim.

Na falha do precipício, na volta do mundo,
correste assim, fugiste,
largando-me na margem
de um lago espelhado,
um lago direito e sossegado,
numa volta, num revolteado,
no cheiro a alfazema
do tempo abandonado

Correste de mim, fugiste
disseste-me e não ouvi
tonta que estava, sorrindo que estava
E as palavras voavam soltas

no dia cinzento em que nasci
perdida de mim
em ti  

sábado, 3 de novembro de 2012

Alerta amarelo

Dou  por mim a gostar de dias de chuva. Antes não gostava; dias presa em casa, sem praia, sem rio, sem ar livre eram suplício. Mas agora sabe-me bem, estar em casa, no morno, agarrada aos meus meninos deslumbrados com a água que cai do céu. Embrulhamo-nos uns nos outros, falo-lhes com voz de mistérios e descobertas, eles atentos, de olhos bem abertos, apaixonados por mais uma novidade.
«E o vento mãe, por que não vem o vento e a trovoada mãe?» Sorrio. Nunca gostei de trovoada, a força estrondosa da natureza assusta-me. Mas agora gosto, gosto mesmo, gosto de estar com os meus meninos enrolados numa cama virada para a janela e ver os relâmpagos, contar até aos trovões, senti-los encolherem-se em mim com um sorriso de nervoso e felicidade.
Por isso espero que além desta chuvada e dia cinzentos de hoje, ainda venha um valente vendaval, uma trovoada daquelas, para tê-los sossegadinhos, agarradinhos a mim, admirados com o que se passa lá fora, enquanto aqui neste abraço tudo é perfeito.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A menina Aguaceiro II

Tenho sede dos teus beijos; a minha boca sente uma falta imensa da tua. E isto não é conversa pseudo-poética, é literal, físico, visceral e eu nunca pensei que se pudesse sentir a falta de alguém desta forma tão violentamente intensa.

Corro os nossos recantos na esperança inconfessada de um acaso em que nos encontremos. Re-encontremos de corpo e alma. Soa forçado, mas não é, de todo, é sentido em todos os poros e terminais de mim.

Fico aqui em frente ao rio, como tantas vezes ficámos, num sítio nosso e penso no que será de nós.

Tu dóis-me. Dóis-me, custas-me, pesas-me, por gostar tanto e tanto de ti. Mas há momentos em que a ausência de ti é insuportável, que a tristeza entra por mim dentro e sinto os braços cairem, eu toda a tombar e com vontade de deixar-me ir sem chão.

Corro, fujo, distraio-me, finjo não sentir, não lembrar, não querer. Passo à frente, ao lado, por cima. Escondo-me por dentro, viro-me do avesso, tento seguir, seguir, andar, passar, correr.

Mas há momentos assim em que a falta de nós entra pelo meu dia a dentro e só uma pergunta toda cheia em mim: como foi que Gostar muito de ti passou a ser Gostar demasiado?  

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Bom astral


Hoje é só assim....uma música de que sempre gostei muito, com uma mensagem que faz muito sentido

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Código de Morse


Ontem?

Não, hoje.

Mas a sério mesmo?

Sim, mesmo, a sério, muito a sério.

E tens a certeza que queres?

Sim, agora sei, daqui a pouco já não sei se saberei.

E não era para ter sido ontem?

Já te disse que não, hoje, só hoje é que é, não sei porque percebeste que teria sido ontem, quando te estou a dizer: Queria ver-te.

Porque disseste que querias. Não disseste «Quero».

É o Imperfeito de Cortesia. Lá tenho que estar eu a dar-te lições de Português..

Cortesia, comigo? Chegámos mesmo a isso? Depois dos anos em que estivemos lado a lado, segurando-nos, amparando-nos, de mão dada, vivendo juntos à nossa maneira? Cortesia…?

Ai, não leves a mal, não te prendas nesses pormenores dos meus preciosismos linguísticos. Estava a querer dizer-te que depois de todo este tempo afastados, desta tempestade sem fim, finalmente sei que quero sentir-te meu outra vez, que agora sei que, seja como for, hei-de ser sempre tua, que agora quando te liguei, naquele preciso e precioso momento queria o teu abraço no meu e adivinhava até as minhas lágrimas na tua pele ao primeiro toque. E tu só tinhas que responder «Vou já para aí» e agora estragaste tudo com estas tuas manias e agora afinal deixa, tinha que ser no imediatismo daquele momento, que já foi, já passou, foi-se e agora não sei quando voltará.

E volta?

Se não estragasses tudo, voltaria. E agora estou a usar um Condicional personalizado. Só para que saibas.

(E, finalmente, sorrimos.)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

´Tá de Chuva

Elogiei-lhe a fatiota aprumada de hoje. Camisa preta, gravata de riscas azuis claras, blaser castanho com quadradinhos encarnados (seria?). Ele a sorrir-se todo: Gosta dótôra? é que eu escolho tudo a condizer! E eu sem conseguir vislumbrar o que é que condizia ali e com o quê. Nada, claro. Mas ele feliz. Agora que anda de óculos novos até parece mais bem-posto, mais senhor de si. Não fossem a magreza extrema, a sujidade das mãos com que hoje apertou a minha e os dentes inexistentes e/ou mal tratados, até passaria por um de nós. Seja lá o que for isto de «ser um de nós». Mas é um mero arrumador de carros, estimado é certo, mas nesta vida indigente, a ter que pedir moedinhas, a esforçar-se por mostrar que se esforçou mesmo quando só aparece quando já estamos de saída.
Para que estou a escrever tudo isto? Ainda para mais já escrevi sobre ele outras vezes.
 Eu não sei bem o que é, mas acho que sou eu com vontade de descobrir nele uma história avassaladora, uma coisa digna de filme, uma daquelas que nos deixa numa choradeira desatada, uma revelação extraordinária que mostre que afinal ele é mais do que isto ou que algum dia foi. É curto isto. Mas na verdade ele agora até me parece feliz. Se calhar afinal até não é má de todo a vidinha que leva.
No outro dia dizia-me, Dótôra hoje despeço-me já porque vou sair mais cedo qu´hoje dá o meu Sportem na televisão. Ou vejo-o pegar no Peugeotzinho velhote (pasmei-me quando descobri que até carro tem!) e me atira òh Dótôra isto hoje está muito frio e apetece-me é ir para casa sossegado..! E é estranho isto, porque ele tem esta liberdade, este afoitamento, este entusiasmo a falar connosco, seus cliente habituais, nós que nos queixamos, eu que murmuro um Desculpe lá, porque só tenho uma moeda pequenina para lhe dar – e ele Deixe lá isso Dótôra, então a gente não se conhece aqui de todos os dias? - e lá vou a resmungar porque hoje apetecia-me mesmo era estar em casa enrolada com os meus meninos, porque está um dia cinzento e frio e não há melhor que o calor dos risos deles em mim.
E a verdade, como se sabe, é que não há moedinha que pague nem um bocadinho disso.

domingo, 30 de setembro de 2012

A menina Aguaceiro

Há dias assim, em que as coisas se complicam, o mundo fica mais cinzento e há partes de nós que nos doem. Há dias assim em que tanto corre mal e depois há o tanto bom que se tem. Há dias assim em que falta uma mão forte e doce para apertar, mas em que se sorri porque é tão bom ter uma mão pequenina dentro da nossa. Há dias assim em que não há certezas só perguntas e infinitos Se's, em que o sim é não, o não talvez, o talvez mais ou menos e por aí se vai. Há dias assim em que o sol se vai mais cedo, mas que nos descobrimos entre os risos pequeninos que enchem a noite.
Há dias assim em que me apetece encontrar um refúgio, um ninho, uma toca, levar os meus pequeninos comigo e deixarmo-nos estar em dias de sossego e muitas gargalhadas.  Iria para Setubal, para os meus avós, molhar-me com as mangueiradas no jardim, eu menina no meio dos meus meninos enlameados e risonhos. Eu menina no colo da minha avó que me iria entran¢ar o cabelo indomável como quando era eu pequenina, agora com os meus amores a brincarem a meus pés, com o meu avô que estaria ainda como era, a ensiná-los sobre a fábrica do cimento e as sementes que plantámos lá no quintal. Há dias assim em que só apetece paz e sossego, respirar fundo e ter quem tome conta de nós enquanto carregamos os nossos no colo.
Há dias assim que chegam ao fim e com cada uma das nossas crianças adormecida em cada um dos nossos bra¢os, afinal nos nossos lábios uma só palavra: obrigada. E assim, sorrindo, adormecer.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Equação de Nós dois

Gosto de ti mais que banhos de mar
Gosto de ti mais que pastéis de belém
Gosto de ti mais que o vento nos meus cabelos
Gosto de ti mais que a música a estalar nos meus ouvidos
Gosto de ti mais que a sombra das árvores em Agosto
Gosto de ti mais que férias demoradas
Gosto de ti mais que sestas na relva
Gosto de ti mais que risos com amigos
Gosto de ti mais que mergulhos na piscina
Gosto de ti mais que lençóis fescos na pele quente
Gosto de ti mais que um livro que me enche de histórias
Gosto de ti mais que escrever
Gosto de ti mais que muito, mais do que mais
Gosto de ti e era tão bom que pudesse ser só assim,
que fosse fácil assim,
que chegasse assim,
tu e eu
eu e tu
e no fim de tudo
tu com o meu cheiro a mim

sábado, 15 de setembro de 2012

Jogo de silêncios

Andamos neste jogo de silêncios. Há coisas que calamos. Muitas. Eu por isto, ele por aquilo, ou, no fundo, talvez os dois pelo mesmo.
Calo-me para não gritar o que me arde por dentro, para não me ouvir dizer o que sei que ele não quer ouvir.
Este nosso jogo de silêncios vem desde sempre. Enchemo-nos das coisas por dizer, sufocamo-las cá dentro até ao dia em que tudo sai numa torrente, num dilúvio, levando todos dentro. Todos, todos os que fazem a nossa história, todos os dias que nos doem, todos os medos e dores por dizer.
Hoje estou cansada deste nosso jogo.
Xeque-mate.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Palavra d´honra!

Quando eu fôr grande quero ser como ela: grande, opulenta, de peito avantajado, seios poderosos, ostentosos, portentosos, a fazerem sombra a um umbigo embutido em carnes rijas e rosadas. A coxa larga e firme, tornozelo rechonchudo ainda que bem torneado.

Quero ser como aquela mulher na praia do porto de Sines, contando alto e bom som até três, para a minha amiga escanzeladota tirar-me fotografias sensuais, ora agora de cabelo a soltar mil gotas salgadas enquanto o atiro para trás no meio das ondas, ora enquanto me rebolo deitada, tão extraordinariamente sensual e descomprometida à beira-mar, com a espuma das ondas a ladearem-me as curvas acentuadas.

Quero ser como ela, de sorriso fácil e feliz, enquanto a minha amiga me tira fotografias a meu comando, perante o olhar espantado dos outros veraneantes, toda eu em alta-voz, toda eu bamboleante, toda eu gargalhadas soltas e olhos brilhantes.
O fato de banho preto é o toque perfeito. Elegância acima de tudo, que isto de ser descontraida não tem nada a ver com desleixo ou falta de vaidade. Não, um fato de banho preto bem decotado, que mostre bem o que é bom de ver, mas que me dè esta aura de robusta femme fatale perdida no meio do alentejo salgado é a cereja no topo do bolo.

Ser como ela, cheia, poderosa, rosada e sorridente deve ser mesmo do melhorzinho que há para se ser. Come-se do que se gosta e porque se gosta, na quantidade que apetecer, sempre de ar saudável, satisfeita, altamente curvilínea e gargalhada potente. Toda ela potente. E absolutamente feliz.

As fotografias talvez vão para o rapaz lá da faculdade que todas cobiçam, ou talvez até se aventure a enviar para aqueles programas de televisão que nos dão 5 segundos de fama.. Nao interessa, talvez nem vão para lado nenhum e fiquem até por revelar. O momento foi bom e é o que importa. O caminho é que interessa, não o destino.

Por isso, eu quando for grande quero ser assim como esta mulher reluzente e cheia que vi dançar na areia e cantarolar uma música sexy enquanto saía em camara lenta das ondas.

Talvez no próximo Verão seja eu a rebolar um peito cheio, pesado, nas ondas mornas, a posar para uma máquina fotográfica, a cantar baixinho uma músiquinha sensual. E talvez tenha até alguém por perto a gritar-me bem alto: já está!

sábado, 8 de setembro de 2012

Quando eu for grande quero Escrever

Um dia hei-de escrever algo extraordinariamente belo. Palavras bem encadeadas que tirem desta expressão toda a sua presunção e arrebitamento.
Um dia hei-de conseguir libertar-me de mim e dos meus mundos, elevar-me acima do terreno e escrever num fluxo natural, corrido, translúcido, todas as palavras, virgulas e reticências que sejam um elogio perfeito à língua escrita.
Um dia hei-de conseguir toda eu brotar-me em flor, encontrar toda a cadência certa e compasso acertado para mostrar-me de dentro para fora, numa perfeição que me mostre sublime.
Um dia hei-de ser escritora, nem que só por um texto, por uma história, por umas linhas perfeitas, absolutas, leves, que no fim me deixem solta, cheia, feliz.
Depois pego na folhacheia e perfeita, aperto-a no peito, escondo-a na minha caixa dos tesouros e sorrio o meu sorriso mais sincero, porque hei-de ter o meu maior segredo só para mim.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Volto Já

Vontades de mais. Vontade do teu corpo abandonado em cima do meu, mas com delicadeza, por favor, sem estragar muito, se não for incómodo, mas, sim, o teu corpo abandonado em cima do meu, entregue a ti.

Os teus dedos contam os meus, um a um e tenho apenas vontade de dizer lamechices, porque é bom gostar de ti e é bom gostar de ti assim. Gosto que me vejas de ponta a ponta, de fio a pavio, de te sentir perdido nos cantos daquela que sou quando estou contigo assim.

Doi-me a ponta do ombro e tu sorris. Passas as mãos nos meus encaixes e rangidos e sabe-me bem.

Os dias bem que podiam ser sempre assim. Sossegados e frescos. Mas está na hora, mais uma despedida, mais um Adeus. Para ti são sempre Até já's, mas eu prefiro dizer-te Adeus quando os Já's estão longe demais. Vamos vivendo assim e há qualquer coisa de muito bom nisso, qualquer coisa de muito bom em ti abandonado em mim, sossegados e frescos, num dia de Verão como estes que vamos tendo para nós.

Amanhã a praia, a areia na minha pele, o mar aos meus pés. Respiro fundo. Os risos entram cá dentro e sinto magias à flor da pele.

Meu querido, meu doce, até já.




segunda-feira, 30 de julho de 2012

Salto em altura

Hoje o vento cheira a novo, a coisas por fazer, por experimentar.
Hoje a manhã fresca traz-me o sabor a ti e ao que estamos para ser.
Hoje fiz-me senhora do mundo e apertei no peito a luz e o som dos teus passos na minha sombra.
Hoje revelei-te mais um segredo meu, mais uma folha do meu caderno. Sentei-me empoleirada na beira de muro nenhum, deixei os pés balançarem no teu respirar na porta do meu ouvido.
Conta-me mais, disseste tu sem dizer.
E assim me calei porque não sei responder a pedidos, nem sequer a vontades de mais de mim. Se me queres ver como sou, deixa-me andar, fluir, sentar-me no teu colo, beijar-te o cabelo e ser feliz so assim.
O meu mundo é feito de coisas simples, deixa-me apenas estar e assim crescer.
Não preciso de muito, não quero tanto assim, apenas mais de ti para eu ser mais de mim para ti.
Um dia vais entender-me, vais chegar mesmo lá, ao cerne da minha questão. Mas não é hoje, hoje ainda não. Hoje ainda só me pegas como eu gosto, só me beijas como eu quero, só me deixas enleada em ti. Nao faz mal, nao te preocupes, preciso deste caminho assim. Pois, hoje nao, talvez amanha já me consigas ver a mim.